Consulte um médico ao buscar tratamento medicamentoso para obesidade

Publicado em 07/07/2023.

Tempo de leitura: 6.4 minutos.

Medicamentos

Qual é a melhor maneira de buscar tratamento para obesidade?

Para cada paciente existe uma trajetória na busca pelo tratamento. Alguns demoram mais tempo e outros já tomam iniciativa logo que os primeiros sintomas aparecem. É importante lembrar que, nos casos de obesidade, a melhor maneira de começar é buscando um profissional especializado. No Brasil, esse caminho pode ter início em uma consulta com o clínico geral nas unidades de atenção básica de saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS), que é um serviço de portas abertas. O clínico geral pode avaliar os sintomas, solicitar exames, e também encaminhar o paciente para outras consultas com a equipe multidisciplinar de apoio. Somente após essas etapas e análises, um tratamento poderá ser indicado.

Sendo a obesidade uma condição que pode afetar a saúde física e emocional de maneira grave, alguns pacientes negligenciam as etapas iniciais de diagnóstico especializado e buscam tratamento por conta própria, recorrendo muitas vezes á dietas restritivas ou aos medicamentos.

Durante grande parte do tempo, o tratamento com remédios para obesidade conta com opiniões controversas. É importante notar que não há um remédio para obesidade que seja indicado para uso geral da população sem prescrição médica, pois cada indivíduo precisa ser avaliado detalhadamente, considerando seu estilo de vida, hábitos alimentares, prática de exercício físico, sintomas de depressão e outras questões e/ou problemas associados à doença.[1]MANCINI, Marcio C.; HALPERN, Alfredo. Tratamento farmacológico da obesidade. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 46, p. 497-512, 2002.

 

Cada paciente possui um histórico médico diferente

Você deve estar se perguntando: por que algumas pessoas conseguem ter bons resultados no tratamento da obesidade com remédios e outras não? A resposta está em buscar a indicação médica e seguir a prescrição. É necessário o uso contínuo da medicação, pois sua descontinuidade interrompe o progresso do tratamento. Além disso, é importante contar com a supervisão médica, pois um especialista estará apto a indicar a medicação adequada de acordo com as características e necessidades do paciente. O tratamento é preservado conforme a eficácia e segurança do paciente.[2]MANCINI, Marcio C.; HALPERN, Alfredo. Tratamento farmacológico da obesidade. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 46, p. 497-512, 2002.

É interessante ressaltar que os tratamentos medicamentosos são recomendados para o perfil de pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 30 ou quando o indivíduo tem doenças associadas ao excesso de peso, com IMC superior a 25 em situações em que o tratamento com dieta, exercício, aumento de atividade física e modificações comportamentais se prova infrutífero.[3]MANCINI, Marcio C.; HALPERN, Alfredo. Tratamento farmacológico da obesidade. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 46, p. 497-512, 2002. [4]WHO Consultation on Obesity. Preventing and Managing the Global Epidemic. Geneva: World Health Organization, 1998.

 

 

 

Muitos medicamentos disponíveis no mercado

A gama de medicamentos é grande, porém algumas características importantes devem ser observadas para que seu uso no tratamento seja eficaz. A medicação deve: diminuir o peso corporal e acarretar melhora nas doenças associadas no ganho de peso; reduzir efeitos colaterais e/ ou transitórios; não causar dependência; ser eficaz e seguro; apresentar mecanismo de ação que seja de conhecimento; e ter um custo-benefício tolerável.[5]MANCINI, Marcio C.; HALPERN, Alfredo. Tratamento farmacológico da obesidade. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 46, p. 497-512, 2002.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que cerca de 2 milhões de adultos chegarão no sobrepeso e que esse quadro irá avançar ainda mais no Brasil nos próximos anos.[6]COSTA, Ronaldo et al. Avaliação do consumo de medicamentos para o tratamento da obesidade: um estudo realizado em farmácias do município de Teresina-Piauí. Research, Society and Development, v. … Continue reading Importante ter em conta que apenas dois remédios são autorizados atualmente: agentes farmacológicos derivados beta-fenetilamínicos e derivado da lipstatina.

 

A automedicação não é o caminho – sempre consulte um médico

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prática da automedicação ocorre quando o paciente utiliza um medicamento sem prescrição e/ou sem orientação de um profissional de saúde. Mesmo assim, algumas propagandas ainda incentivam esse comportamento preocupante, fazendo com que pacientes em busca do tratamento se sintam influenciadas a optar pela automedicação.[7]COSTA, Ronaldo et al. Avaliação do consumo de medicamentos para o tratamento da obesidade: um estudo realizado em farmácias do município de Teresina-Piauí. Research, Society and Development, v. … Continue reading

Consulte seu médico, a saúde mental pode estar associada

Viver com obesidade pode provocar uma elevação no nível de estresse, ocasionando ansiedade, tristeza, depressão, nervosismo e outros sintomas associados a piora da saúde mental. Esse cenário pode levar o paciente a compulsão alimentar, por vezes desencadeada pelo sentimento de frustração e angústia relacionados a imagem corporal.[8]DA SILVA, Rosa Kioko Iida; MACHADO, Regina Maria; DA SILVA, Diego. REFLEXÕES PERTINENTES SOBRE A OBESIDADE NA CONTEMPORANEIDADE: UMA REVISÃO NARRATIVA DE LITERATURA. Revista Ibero-Americana de … Continue reading

A obesidade possui várias opções de tratamento

Entre as alternativas de tratamento, estão: mudanças no estilo de vida, medicamentos e o tratamento cirúrgico. Quanto a opção cirúrgica, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (2017) avalia três procedimentos básicos indicados como cirurgia bariátrica: abordagem aberta, videolaparoscopia e robótica.[9]NERY, Mirela De Almeida; CÂMERA, Vanessa De Jesus; SILVEIRA, Matheus Sobral. Reganho de peso pós cirurgia bariátrica. Uma revisão de literatura. Revista Ciência (In) Cena, v. 1, n. 11, p. 40-52, … Continue reading

 

A obesidade possui várias opções de tratamento

Qualquer um dos métodos de tratamento quando interrompido e não observado/acompanhado por uma equipe médica, pode desencadear o reganho de peso. No caso da cirurgia, a equipe multidisciplinar que acompanha os pacientes após o procedimento cirúrgico precisa avaliar o estilo de vida, hábitos, dieta e possíveis fatores que influenciam nesse reganho de peso[10]NERY, Mirela De Almeida; CÂMERA, Vanessa De Jesus; SILVEIRA, Matheus Sobral. Reganho de peso pós cirurgia bariátrica. Uma revisão de literatura. Revista Ciência (In) Cena, v. 1, n. 11, p. 40-52, … Continue reading, por isso, é importante não abandonar as consultas e cuidados médicos pós cirúrgicos.

Procure um médico antes de iniciar QUALQUER tipo de tratamento

Apesar da variedade de tratamentos disponíveis, é importante ressaltar que cada paciente receberá uma recomendação específica com base em sua condição de saúde e necessidades. A escolha do tratamento não cabe ao paciente, mas sim ao médico, que irá decidir o que é melhor para a saúde e bem-estar de cada indivíduo.

Quando se fala em qualidade de vida, é necessário considerar um conceito que está baseado em paradigmas de saúde versus doença, levando em conta referências sociais, pessoais e econômicas que influenciam o estilo de vida e afetam os determinantes da qualidade de vida. Essa noção tende a melhorar a condição de bem-estar clínico e o autoconhecimento. Portanto, nunca se autodiagnostique, o médico é o profissional mais adequado para te ajudar.

 

Referências

Referências
1 MANCINI, Marcio C.; HALPERN, Alfredo. Tratamento farmacológico da obesidade. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 46, p. 497-512, 2002.
2 MANCINI, Marcio C.; HALPERN, Alfredo. Tratamento farmacológico da obesidade. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 46, p. 497-512, 2002.
3 MANCINI, Marcio C.; HALPERN, Alfredo. Tratamento farmacológico da obesidade. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 46, p. 497-512, 2002.
4 WHO Consultation on Obesity. Preventing and Managing the Global Epidemic. Geneva: World Health Organization, 1998.
5 MANCINI, Marcio C.; HALPERN, Alfredo. Tratamento farmacológico da obesidade. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 46, p. 497-512, 2002.
6 COSTA, Ronaldo et al. Avaliação do consumo de medicamentos para o tratamento da obesidade: um estudo realizado em farmácias do município de Teresina-Piauí. Research, Society and Development, v. 9, n. 3, p. e43932293-e43932293, 2020.
7 COSTA, Ronaldo et al. Avaliação do consumo de medicamentos para o tratamento da obesidade: um estudo realizado em farmácias do município de Teresina-Piauí. Research, Society and Development, v. 9, n. 3, p. e43932293-e43932293, 2020.
8 DA SILVA, Rosa Kioko Iida; MACHADO, Regina Maria; DA SILVA, Diego. REFLEXÕES PERTINENTES SOBRE A OBESIDADE NA CONTEMPORANEIDADE: UMA REVISÃO NARRATIVA DE LITERATURA. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 9, n. 6, p. 736-745, 2023.
9 NERY, Mirela De Almeida; CÂMERA, Vanessa De Jesus; SILVEIRA, Matheus Sobral. Reganho de peso pós cirurgia bariátrica. Uma revisão de literatura. Revista Ciência (In) Cena,
v. 1, n. 11, p. 40-52, 2020.
10 NERY, Mirela De Almeida; CÂMERA, Vanessa De Jesus; SILVEIRA, Matheus Sobral. Reganho de peso pós cirurgia bariátrica. Uma revisão de literatura. Revista Ciência (In) Cena,
v. 1, n. 11, p. 40-52, 2020.

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